MAM Nacional https://mamnacional.org.br Thu, 17 Sep 2020 20:04:39 +0000 pt-BR hourly 1 https://mamnacional.org.br/files/2017/03/cropped-logo-mam-32x32.png MAM Nacional https://mamnacional.org.br 32 32 Moradores de Brumadinho rechaçam valor de multa aplicada pelo Ibama: “Vale comemorou” https://mamnacional.org.br/2020/09/17/moradores-de-brumadinho-rechacam-valor-de-multa-aplicada-pelo-ibama-vale-comemorou/ https://mamnacional.org.br/2020/09/17/moradores-de-brumadinho-rechacam-valor-de-multa-aplicada-pelo-ibama-vale-comemorou/#respond Thu, 17 Sep 2020 20:04:39 +0000 https://mamnacional.org.br/?p=2532 Mineradora vai pagar R$ 250 milhões: R$ 150 milhões serão aplicados em parques nacionais e R$ 100 milhões em saneamento

Caroline Oliveira
Brasil de Fato | São Paulo (SP) |
16 de Setembro de 2020 às 18:34

Moradores de Brumadinho contestam as normas da aplicação e o valor de R$ 250 milhões em multas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do estado de Minas Gerais contra a empresa Vale.

O valor foi definido em acordo com a Advocacia Geral da União (AGU) e homologada pela 12º Vara Federal Cível e Agrária de Minas Gerais, em decorrência dos crimes ambientais cometidos pela mineradora com o rompimento da Barragem da Mina de Córrego do Feijão, em Brumadinho, que resultou em 270 mortes e milhares de pessoas atingidas.

Segundo a decisão, dos R$ 250 milhões de reais, R$ 150 milhões serão aplicados em parques nacionais em Minas Gerais: Serra da Canastra, Caparaó, Serra do Cipó, Serra da Gandarela, Cavernas do Peruaçu, Grande Sertão Veredas e Sempre-Vivas. Os outros R$ 100 milhões serão destinados para projetos de saneamento básico e aterros sanitários.

Exclusão dos moradores no processo

Soma-se a isso dois fatos: a população atingida não participou das definições e destinações dos valores, e estes não têm previsão de aplicação nos territórios impactados.

Para Marcelo Barbosa, morador de Brumadinho e integrante do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM), os recursos deveriam ser aplicados na região acometida pelo crime cometido pela mineradora, que é o Vale do Paraopeba.

“Sem tirar a importância das ações de preservação em parques, mas esse dinheiro deveria ser investido com mais afinco justamente na região que foi impactada pelo mar de rejeitos da barragem, que é a bacia do Rio Paraopeba”, defende Barbosa.

Barbosa também explica o Rio Paraopeba se tornou “intragável” para agricultura, consumo e vida. Por isso, “outra falha desse acordo é a praticamente exclusão das comunidades impactadas pelo rompimento da barragem”. Em sua visão, muitos dos impactos causados pelo crime, “dinheiro algum paga”. Nesse sentido, para ele, R$ 250 milhões foi um acordo “que o alto escalão da Vale comemorou, porque foi nada para eles”.

“Esse dinheiro deveria ser investido com mais afinco justamente na região que foi impactada pelo mar de rejeitos da barragem.
De acordo com Marina Oliveira, também moradora de Brumadinho, uma série de ações de reparação ocorrem sem a presença de uma assessoria técnica qualificada.”

“Então, eu gostaria de saber também, baseado em quê eles conseguiram mensurar o impacto de um crime? Quem participou da definição desse valor? Por quê? Quais foram os critérios? Porque esse valor está sendo aplicado dessa forma?”, questiona Oliveira.

Em consonância com Barbosa, Oliveira também coloca em questão o fato “doloroso” dos moradores não terem participado do processo, desrespeitando o princípio da centralidade da vítima.

“Apesar de ser triste o fato da comunidade atingida não participar desse tipo de definição, como esses recursos são aplicados, não é uma novidade. Dói saber que nós estamos naturalizando e aprendendo a viver com esse tipo de violação de direitos.”

Revisão de todas as barragens

Tanto Barbosa quanto Oliveira apontam para outra falha do acordo: não determinou a revisão de todas barragens da Vale.

“Foi uma grande derrota, mas a gente deve seguir pressionando.”

“Não determinar judicialmente a revisão de todos os laudos das barragens da mineradora é passar a mão na cabeça de um criminoso reincidente”, afirma Barbosa relembrando o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, da mineradora Samarco, da Vale e BHP, matando cerca de 20 pessoas.

“Foi uma grande derrota, mas a gente deve seguir pressionando inclusive para o fim do auto monitoramento, para que a empresa pare de ela mesma para fazer o monitoramento de suas barragens”, afirma Barbosa. Para ele, o Estado deve ser responsável por elaborar e dar os laudos técnicos, e não a própria mineradora. Lembrando que no crime de Mariana, em 5 de novembro de 2015, havia um lauda atestando estabilidade da barragem.

Para Oliveira, “é um absurdo que as mortes de Mariana e Brumadinho não sejam motivo suficiente para que a Vale faça uma revisão de todas as suas barragens”.

O que significa esse acordo?

Ana Galeb explica que os R$ 250 milhões são decorrentes dos autos de infração impostos pelo IBAMA. São, portanto, exclusivos às multas de responsabilidade ambiental administrativa.

Para além disso, existe outra forma de lidar com o dano ambiental no Brasil: no âmbito cível e penal. Neste último, um processo contra a Vale sobre a responsabilidade dos danos ambientais está em tramitação. E, na esfera cível, a mineradora tem a obrigação de fazer a reparação de todos os impactos na região, desde os danos morais até os ambientais.

A multa acordada entre IBAMA e Vale não tem relação, portanto, com o dever da Vale de cumprir a obrigação determinada na esfera cível.

“Já foram feitas algumas condenações de retenção do rejeito do local onde era a barragem, mas esse valor do acordo não significa que a Vale vai pagar só isso”, explica Galeb. Ainda assim, a advogada considera esse um “valor baixo”.

Em 2013, a Justiça condenou a Petrobrás a pagar R$ 1,4 bilhão pelo vazamento de 4 milhões de litros de óleo da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), nos Rios Barigui e Iguaçu, no Paraná, em 2000. Em 1996, a empresa Exxon Mobil foi obrigada a pagar.

Segundo Galeb, logo no início do processo, foi definido um auxílio emergencial de um salário mínimo por pessoa no raio de um quilômetro, e outras condenações mais específicas como o fornecimento de água e a designação de assessorias técnicas. Em janeiro de 2020, 11 dirigentes da mineradora foram indiciados pelo Ministério Público por homicídio duplamente qualificado e crime ambiental.

O Brasil de Fato entrou em contato com a mineradora Vale. Mas até a publicação desta reportagem, não houve um retorno.

Edição: Rodrigo Chagas

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NOTA DE PESAR E SOLIDARIEDADE PELO FALECIMENTO DE SEU JOÃO COCO https://mamnacional.org.br/2020/09/17/nota-de-pesar-e-solidariedade-pelo-falecimento-de-seu-joao-coco/ https://mamnacional.org.br/2020/09/17/nota-de-pesar-e-solidariedade-pelo-falecimento-de-seu-joao-coco/#respond Thu, 17 Sep 2020 13:28:06 +0000 https://mamnacional.org.br/?p=2529 É com muito pesar que o Movimento Pela Soberania Popular na Mineração (MAM) vem a público comunicar o falecimento do companheiro João Rodrigues da Silva, conhecido como Seu João Coco, morador da comunidade do Passa Sete no município de Conceição do Mato Dentro. Nos solidarizamos à sua companheira e esposa, Dona Creuza, aos amigos/as e familiares, neste momento de dor e tristeza.

Seu João Coco e Dona Creuza, lutam há anos contra as violações de direitos e danos causados pelo Projeto Minas-Rio da mineradora Anglo American. A casa deles se encontra há poucos quilômetros da barragem de rejeitos do empreendimento, motivo pelo qual sempre lutaram pelo direito ao reassentamento e acesso à água.

A história do casal sensibilizava muitas pessoas e despertava um sentimento de profunda indignação, pois além de conviver cotidianamente com o medo do rompimento da barragem, por muito tempo eles precisaram caminhar até a casa dos vizinhos, atravessando uma pinguela sobre o rio Passa Sete contaminado pelos rejeitos da mineradora, para buscar a água que usavam para beber, cozinhar e demais usos da vida. A água do rio já não pode mais ser utilizada: as nascentes que abasteciam a família secaram com a implantação do empreendimento da Anglo American. E é na casa da família vizinha que ainda existe a única bica d’água da região. Seu João Coco, já de idade, carregava galões de água nos ombros até em casa e fazia isso algumas vezes por dia, situação que foi denunciada por muitas vezes aos diversos órgãos públicos e também pelo MAM.

Ele era um homem firme, camponês de poucas palavras, que não perdia uma luta. Sempre estava lá, incansável na defesa de sua comunidade, em todas as reuniões, audiências públicas e atividades.

Certa vez, em 2017, em um intercâmbio com companheiros de vários países da África, que visitavam a região para conhecer a realidade do povo em conflito com a mineração, organizamos um mutirão de solidariedade para levar água para Dona Creuza e Seu João Coco. Fomos recebidos com muita alegria e gratidão! Ficamos ali por horas, rodeando o fogão a lenha, de onde saiam café e quitandas preparados por Dona Creuza. Um dos companheiros da Zâmbia disse, ao se despedir, que sentia em casa, tamanha a semelhança daquela senhora e daquele senhor com seu povo, e por se sentir aconchegado pela receptividade do casal, de prosa boa e coração enorme. É essa doce lembrança que guardamos de Seu João Coco, que partiu sem perder a esperança em dias melhores, que hão de chegar para sua companheira e amigos que seguem na luta.

Seu João Coco veio à óbito dia 16 de setembro, por complicações de saúde, mas sabemos que as condições de vida na comunidade, que pioraram muito com a chegada da mineração, contribuíram para o seu adoecimento. Por isso, seguiremos denunciando esse modelo de mineração e o projeto Minas-Rio, marcado pela violência da multinacional Anglo American, que tem adoecido e matado nosso povo a cada dia, e seguiremos lutando pela reparação e garantia direitos das populações que tiveram suas vidas atravessadas pela ganância e sede de lucro do capital mineral.

Ao Seu João Coco, reafirmamos: nenhum minuto de silêncio, mas toda uma vida de luta contra a mineração que mata!
Seu João Coco, presente, presente, presente!

Movimento pela Soberania Popular na Mineração, 16 de setembro de 2020

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Carta pública contra o início da mineração da BAMIN sem diálogo com a população https://mamnacional.org.br/2020/09/09/carta-publica-contra-o-inicio-da-mineracao-da-bamin-sem-dialogo-com-a-populacao/ https://mamnacional.org.br/2020/09/09/carta-publica-contra-o-inicio-da-mineracao-da-bamin-sem-dialogo-com-a-populacao/#respond Wed, 09 Sep 2020 21:52:30 +0000 https://mamnacional.org.br/?p=2526 As organizações assinantes desta carta vem a público manifestar-se contra o início do projeto da Bahia Mineração (BAMIN) na Mina Pedra de Ferro. A empresa possui várias pendências com a população da região e, inclusive, com o Ministério Público, além de pretender iniciar atividade em um período de pandemia mundial e sem diálogo algum com a população no sentido de resolver antigos problemas e apresentar novos impactos.

A projeção da BAMIN é de iniciar em novembro do presente ano a exploração do minério de ferro no município de Caetité, produzindo 800 mil toneladas em um ano. Com as obras da ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL) inconclusas, a empresa pretende escoar a produção através de caminhões até o terminal de transbordo em Licínio de Almeida, onde o minério será transportado pela ferrovia Centro Atlântica (FCA) e depois por caminhões, até o porto da Enseada, em Maragogipe. O problema é que a BAMIN anuncia essa nova forma de exploração como se não houvessem problemas pendentes na região.

A Bahia Mineração foi formada em 2006 após a descoberta, em 2005, da mina Pedra de Ferro. Desde de que chegou na região a empresa provocou diversos conflitos com a população e causou uma série de problemas em torno do acesso à terra, à água e em relação à segurança de seus empreendimentos. Já em 2008, a empresa iniciou um processo de desapropriação de 18 famílias (52 pessoas), nas comunidades de Antas e Palmito, nos municípios de Caetité e Pindaí, cuja ação foi efetuada de maneira inadequada, pois não considerou o direito de povos tradicionais dessas famílias que passavam por um processo de reconhecimento oficial enquanto quilombolas, processo que foi interrompido com o início da desapropriação.

Essas famílias, além do já exposto, ficaram em situação de miserabilidade após a saída de suas terras, pois a empresa Bahia Mineração não cumpriu as condicionantes contidas no Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA), indicando a realocação das famílias para área igual ou melhor que o local onde viviam antes, além de assistência técnica para produção agrícola, assistências de enfermagem e psicológica, além de materiais de trabalhado agrícola, como irrigação, ferramentas, sementes, entre outras obrigações registradas nas condicionantes. Porém, até hoje não foram cumpridas.

Além disso, a BAMIN adquiriu de forma duvidosa o local onde pretende construir a barragem de rejeitos, pois se trata de uma área pública, historicamente utilizada pela população do entorno para soltar gado nos períodos de estiagem, como também para coleta de cascas e folhas de plantas medicinais e de frutos nativos, constituindo-se numa atividade decisiva para a economia local e sobrevivência das famílias. Apesar da BAMIN ter cercado mais de 700 hectares somente para barragem de rejeitos, os moradores testemunham que a empresa adquiriu apenas uma pequena área de uma única pessoa, mesmo as terras sendo coletivas.

A região vinha passando por um processo de reconhecimento enquanto comunidade tradicional de Fecho de Pasto, acompanhadas pela Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (SEPROMI) que, de forma omissa, enquanto órgão de Estado, não fez o reconhecimento do território e, posteriormente, a Coordenação de Desenvolvimento Agrário (CDA) não concluiu o processo de regularização fundiária.

Ressalte-se também que a área é rica em nascentes e possui um riacho, do qual mais de mil famílias dependem diretamente e, nos períodos de estiagem, cerca de três mil famílias são abastecidas dessas fontes, inclusive em carros pipas. Como a barragem de rejeitos está projetada para ocupar o espaço onde há essas nascentes e o riacho, toda essa população terá sua água ameaçada, caso o projeto se concretize.

Desde 2010, a população resiste à essa tentativa de construção de barragem de rejeitos sobre as fontes de água. O próprio Ministério Público, após as comunidades manifestarem-se diante do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (INEMA) para questionar as licenças concedidas à empresa pelo órgão, recomendou à BAMIN a não construção da barragem de rejeitos no local e a suspensão de qualquer atividade na Área de Preservação Permanente (APP) que formam as nascentes do Riacho Pedra de Ferro. O Ministério Público ainda exigiu novo EIA/RIMA da empresa e visita técnica do INEMA.

Um estudo da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), juntamente com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Caetité, identificou uma série de irregularidades no EIA/RIMA da BAMIN, apresentado ao INEMA para receber as licenças. A mineradora omitiu a existência da maior parte das nascentes do riacho Pedra de Ferro e fraudou a informação sobre o papel da fonte de água para a população, afirmando existir apenas três famílias dependentes da água, quando na verdade, entre usuários diretos e indiretos, o número chega a três mil. Além disso, a BAMIN excluiu do relatório famílias da zona de impacto, que serão, na realidade, atingidas pela empresa. Isso motivou o MP a emitir uma recomendação à BAMIN para apresentar novo estudo, que até hoje não foi feito.

Ademais, com o anúncio de uma nova forma de exploração do minério, utilizando nova rota de escoamento, colocará outras áreas e pessoas na zona de risco e impacto do projeto, porém, sem apresentar novos estudos deste impacto e sem resolver os problemas já pendentes com a população do entorno do projeto Pedra de Ferro. Acrescente-se ainda que a empresa visa operar em meio a pandemia mundial do novo coronavírus.

Em 11 de março de 2020, a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou estado de pandemia da infecção pelo coronavírus, tendo em vista o crescimento exponencial de casos de contaminação em um curto espaço de tempo. Atualmente, mais de 4.162.073 pessoas foram ou estão contaminadas pelo coronavírus e 127.464 pessoas no Brasil perderam suas vidas. Na Bahia, de acordo com dados da Secretaria da Saúde do Estado (SESAB), 272.814 casos foram confirmados e 5.734 pessoas perderam suas vidas em decorrência da Covid-19.

Neste sentido, dada à gravidade da crise sanitária, órgãos internacionais, estatais, organizações e toda a sociedade estão empenhados no combate e, sobretudo, em implementar meios de prevenção ao coronavírus. Medidas excepcionais e emergenciais – como a decretação de lockdown, o fechamento de fronteiras, a interrupção de transportes intermunicipais, a paralisação de aulas, entre outras – têm sido adotadas pelos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário visando garantir o direito ao isolamento social, principal forma de prevenção ao coronavírus, e controlar o avanço da contaminação. Portanto, o início de uma atividade mineradora pela BAMIN, no Projeto Pedra de Ferro, pode colocar em maior risco de contaminação a população local e os trabalhadores.

Por fim, saliente-se, as organizações assinantes desta carta defendem que a população tenha acesso ao trabalho, renda e à dignidade humana. Para isso, defendem a criação e o investimento em políticas para auxiliar a produção agrícola familiar, para reservas de água da chuva, considerando a condição semiárida do território, potencializando as atividades econômicas já existentes. Na contramão desse caminho, a mineração utiliza exagerada quantidade de água, polui o ar, o solo, a água – em síntese, inviabiliza as atividades econômicas já existentes nos territórios, além de submeter os trabalhadores a péssimas condições de trabalho, sujeitando-os a acidentes ou a obtenção de doenças de longo prazo, ou seja, pulmonares, de coluna, e toda sorte de desgaste físico e psicológico.

 

Em vista disso, manifestamos desacordo com o início da operação da BAMIN, e exigimos:

  • A resolução, antes de qualquer nova atividade da empresa, de todas as condicionantes e pendências com as famílias já atingidas;
  • Exigimos a apresentação de um novo estudo de impacto ambiental, que seja amplamente apresentado e debatido com a população, e que leve em consideração os novos sujeitos na rota de impacto do empreendimento, principalmente na rota de escoamento, tudo isso antes do início de qualquer operação;
  • Exigimos que o Estado, por intermédio da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (SEPROMI), reconheça a comunidade de João Barroca entre outras na área do empreendimento como comunidade tradicional de Fecho de Pasto;
  • Por último, exigimos a não realização de qualquer ação antes do fim da pandemia da Covid-19, de maneira a possibilitar a ampla participação popular e evitar os riscos de contaminação.

 

ASSINAM ESSA CARTA:
Movimento Pela Soberania Popular na Mineração (MAM)

Comissão Pastoral da Terra – Equipe Sul Sudoeste da Bahia (CPT- Sul Sudoeste)

Cáritas Diocesana de Caetité


Associação dos Pequenos Agricultores do Taquaril dos Fialhos (ASPAT)


Associação do Pequenos Agricultores da Comunidade da Cachoeira e Recanto (APACR)


ONG Prisma


Levante Popular da Juventude


Consulta Popular

Sindicato dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares de Guanambi

Polo Sindical da Região de Guanambi

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Comunidades tradicionais na Bahia são ameaçadas por mineração Caraíba https://mamnacional.org.br/2020/09/09/comunidades-tradicionais-na-bahia-sao-ameacadas-por-mineracao-caraiba/ https://mamnacional.org.br/2020/09/09/comunidades-tradicionais-na-bahia-sao-ameacadas-por-mineracao-caraiba/#respond Wed, 09 Sep 2020 12:44:25 +0000 https://mamnacional.org.br/?p=2523 Em plena pandemia do coronavírus, a vida das famílias que moram nas comunidades tradicionais de Fundo de Pasto, Vargem Comprida e Esfomeado, em Curaçá-BA, encontra-se ameaçada pela ação da Mineração Caraíba. Segundo denúncias de moradoras e moradores, que preferem não se identificar, a empresa ameaça entrar nos territórios coletivos para a realização de atividades minerárias, expondo a população ao risco de contaminação pela Covid-19, degradando a natureza e afetando o modo de vida dessas comunidades.

De acordo com famílias da região, a Mineradora vem realizando reuniões presenciais, promovendo aglomerações em plena pandemia, mesmo as comunidades tendo informado em documento que não concordam com isso neste momento, haja vista a necessidade de preservação da saúde das famílias que ali residem há várias gerações, pois expõe muitas pessoas das comunidades que são, inclusive, do grupo de risco. As comunidades também informaram à empresa que não autorizam a entrada da referida mineradora no território coletivo.

Ao longo dos anos, as comunidades de Vargem Comprida e Esfomeado vêm lutando permanentemente em defesa de seu território e contra a grilagem de terra. “Agora, devido aos empreendimentos minerais, a luta torna-se ainda mais pesada, porque toda vez que a mineração mostra interesse no território os ânimos se alteram. Já houve ameaça de morte e desrespeito com a população”, afirma um morador. 

As famílias vivem no modo de vida de comunidades tradicionais de Fundo de Pasto, tendo inclusive a certidão de autorreconhecimento expedida pela Secretaria de Promoção da Igualdade Racial do Governo do Estado da Bahia, nos termos da Lei 12.910/2013. Estas comunidades são protegidas por diversas normas que estão sendo desrespeitadas pela empresa. Entre as violações, destaca-se o desrespeito ao direito de consulta prévia, livre e informada, que garante às comunidades tradicionais o direito de decidirem se determinado empreendimento pode entrar ou não em seus territórios.

Além disso, a empresa desrespeita normas ambientais, como o Art. 142-C do Decreto Estadual nº 14.024/2014, que obriga as mineradoras a fazerem o licenciamento ambiental antes da pesquisa de minérios quando interferir em comunidades tradicionais. Empreendimentos como a mineração colocam em risco esse direito conquistado pelas comunidades tradicionais e toda forma tradicional de vida desses povos.

Assim, as Comunidades de Fundo de Pasto, Vargem Comprida e Esfomeado, reforçam o direito ao território tradicional, ao meio ambiente e ao isolamento social e pedem apoio da sociedade diante das investidas da empresa. As comunidades ainda destacam que a região já sofreu contaminação das águas e dos solos por causa de acidentes decorrentes de atividade minerária.

Articulação Regional das Comunidades Tradicionais de Fundos de Pasto – Canudos, Uauá e Curaçá

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Vitória em defesa da Serra da Moeda com arquivamento do PL 1822 https://mamnacional.org.br/2020/09/08/vitoria-em-defesa-da-serra-da-moeda-com-arquivamento-do-pl-1822/ https://mamnacional.org.br/2020/09/08/vitoria-em-defesa-da-serra-da-moeda-com-arquivamento-do-pl-1822/#respond Tue, 08 Sep 2020 23:44:43 +0000 https://mamnacional.org.br/?p=2519 Uma grande conquista a ser comemorada em tempos difíceis de pandemia da Covid-19 e de ofensivas constantes do capital mineral. Após grande empenho da população em impedir a diminuição do Monumento Natural da Serra da Moeda, em Minas Gerais, o projeto de Lei 1822/2020 foi arquivado na tarde desta terça-feira (08).

O projeto foi apresentado pelo deputado estadual Antônio Carlos Arantes (PSDB), ferrenho defensor dos interesses do agronegócio e da mineração predatória no estado de Minas Gerais. Conhecido por seus discursos agressivos em defesa das grandes empresas, o parlamentar tucano chegou a subir à Tribuna da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) no mês passado para elogiar a ação truculenta do governador Romeu Zema contra o acampamento Quilombo Campo Grande, no Sul de Minas, realizando ação de despejo em meio à pandemia do coronavírus.

Na justificativa do Projeto de Lei, o deputado deixava explícito que o interesse era diminuir a proteção da Serra da Moeda para permitir a expansão da Mina Várzea do Lopes, da mineradora Gerdau. A empresa, que tem um vasto histórico de degradações na região com inúmeras operações irregulares – inclusive com obras ilegais invadindo o território do município de Moeda, planejava a expansão na Serra da Moeda descumprindo acordos judiciais realizados com o Ministério Público.

A repercussão da tramitação do projeto foi grande, tanto pela rápida mobilização popular contra o projeto como pelas polêmicas que marcaram a consulta pública realizada pela Assembleia. A Gerdau e seus parceiros mobilizaram robôs para votarem a favor do projeto na enquete realizada. Após detectar o crescimento anormal da votação, a ALMG excluiu os votos favoráveis realizados de maneira ilegal.

Histórico – O município de Moeda é o único na região do quadrilátero ferrífero que não possui cava minerária em operação. A mobilização de toda a região foi um fator fundamental para resguardar o território com suas vocações que a mineração constantemente tenta destruir. O arquivamento do PL significa uma grande vitória em defesa da Serra da Moeda e de tudo que ela representa, como um patrimônio ambiental, paisagístico, arqueológico e hídrico.

A Serra da Moeda, além de um grande atrativo turístico e refúgio natural da população da Região Metropolitana de Belo Horizonte é primordial para a garantia da segurança hídrica de toda a região da capital mineira. A sua conservação e o planejamento de sua ocupação são passos fundamentais e, para tal, a expansão da mineração na região tem de ser vedada o quanto antes.

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Porque gritamos #ForaBolsonaro neste 7 de setembro https://mamnacional.org.br/2020/09/08/porque-gritamos-forabolsonaro-neste-7-de-setembro/ https://mamnacional.org.br/2020/09/08/porque-gritamos-forabolsonaro-neste-7-de-setembro/#respond Tue, 08 Sep 2020 00:12:54 +0000 https://mamnacional.org.br/?p=2514 A conjuntura mineral em tempos de pandemia e (des)governo Bolsonaro atinge proporções inimagináveis com o passar do tempo. Nesses dois anos, o campo progressista enfrentou e enfrenta diariamente perdas drásticas, e com a mineração não seria diferente.

A política nacional e a questão mineral historicamente se entrelaçam aqui no Brasil, mas desde o fatídico 1° de janeiro de 2019 até atual enfrentamento irresponsável da pior crise sanitária da atualidade, a pandemia da Covid-19, os problemas estruturais brasileiros se aprofundaram, entre eles, os da mineração.

O setor ganha força com a falácia do progresso, dessa vez como salvadora da crise econômica brasileira. Sob um tom profissional, elucidativo e cativo, fala-se de uma atividade tão suja, insalubre e violenta como solução. Por isso nesta data afirmamos que a independência do Brasil está longe de ser alcançada, reforçando nossa voz junto ao movimento do Grito dos Excluídos para dizer #ForaBolsonaro, trazendo alguns pontos da irresponsabilidade do governo Bolsonaro diante do setor minerário.

ESSENCIALIDADE DA MINERAÇÃO
Em março de 2020, exatamente quando estourou a pandemia do coronavírus aqui no Brasil, o Ministério de Minas e Energia emitiu a Portaria 135/GM, que declarou todos os segmentos do setor mineral como serviços essenciais. Posteriormente, o governo brasileiro endossou essa ação através do Decreto 10.329/2020, assegurando às empresas exploradoras a continuidade de suas atividades desconsiderando as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), tanto no quesito de se evitar aglomeração quanto do isolamento social. O setor trabalhista ficou completamente desassistido quanto ao direito à quarentena, e segundo levantamentos feitos pelo MAM e pesquisadores, segundo dados das Secretarias de Saúde de alguns municípios minerados, o aumento no número de casos de Covid-19 ficou intrinsecamente ligado à continuidade dessas atividades. É na mineração brasileira que está repousado os grandes ganhos do capital financeiro nacional e internacional. A Vale S/A, por exemplo, é a empresa no mundo que mais direciona recursos para os seus acionistas esteve, só no primeiro trimestre de 2020, mais de 5 bilhões de lucros. Não haveria pandemia capaz de parar esse ritmo de exploração no país.

RESERVAS CAMBIAIS
O ouro brasileiro compõe a remessa de ativo financeiro que regula o sistema mundial com a plena desvalorização do dólar. O aumento de garimpos ilegais (60% na Amazônia, concomitante com a pandemia), “esquentado” pelo Banco Central brasileiro tem enviado esse ouro às instituições financeiras, entre bancos,corretoras e distribuidoras de títulos de valores imobiliários,além de bancos centrais de 12 países do mundo, como a Índia. Esse ouro ilegal também compõe a reserva cambial brasileira. O ministro da economia Paulo Guedes já sinalizou sobre a possibilidade de utilizar as reservas cambiais brasileiras para salvar a burguesia da crise econômica. Cerca de 80% dessa atividade ilegal ocorre em áreas de conservação ambiental e áreas indígenas e quilombolas. Ou seja, a natureza brasileira e o sangue da população indígena hoje são sacrificados em prol do mercado financeiro mundial – não é mais os operários e as fábricas do ABC Paulista que garantem o lucro do capital internacional, por exemplo, é a mineração ilegal na Amazônia. Hoje a riqueza e acumulação está centrada na mercantilização da natureza. Os militares, que são basicamente todo o reflexo do governo Bolsonaro, acreditam que o papel da geopolítica brasileira é ser exportador de matéria prima, entre elas, dos nossos minérios. Por isso o governo que está em curso, de extrema direita, aposta no setor mineral como saída para a crise econômica, mesmo em detrimento aos danos causados nos territórios tradicionais do nosso país.

O MUNDO DO TRABALHO
Cerca de 90% dos sindicatos estão controlados pelas próprias mineradoras, que são obviamente contra qualquer forma de organização dos trabalhadores (as) diante do domínio do capital mineral enquanto narrativa de desenvolvimento e progresso nos municípios explorados. O economicismo em momentos de crise econômica tira a oportunidade dese levar adiante qualquer estratégia de elevação do nível da consciência da massa trabalhadora da mineração. A subjetividade do trabalhador da mineração está sequestrada pela ideologia das mineradoras que, a todo momento, insinuam produzir riquezas e se comportam como essenciais para a economia brasileira. A automação no processo da mineração é cada vez mais crescente,visto que o ganho maior das mineradoras está resguardado na espoliação da natureza. Entretanto, a automação não expele o trabalhador da produção, ela resguarda a ele a forma mais desumana e brutalizada dos trabalhos das minas onde ele ainda é essencial.

A DESTRUIÇÃO POR DENTRO
A extrema direita há muito não tinha uma figura política tão próxima simbolicamente e defensora do tema mineral como a projeção alcançada por Bolsonaro – ela militarizou a institucionalidade mineral(Ministério de Minas e Energia) com a mesma ideologia de 1964, ou seja, com o movimento em curso para a espoliação máxima da Amazônia brasileira. De 60 anos para cá, toda vez que o Estado se recrudesce na sua maneira de agir,sobra para a natureza e para os povos tradicionais que nelas habitam.Ao invés de acabar com órgãos responsáveis pela mediação do Estado entre mineração e capital, a extrema direita foi nomeando figuras para aparelhar a destruição por dentro. Isso é típico de comportamento de governos fascistas, nomeando um ministro do Meio Ambiente ruralista, financiado pelo agronegócio e por setores armamentistas, enfraquecendo a Fundação Nacional do Índio (Funai), deixando a demarcação de terras indígenas nas mãos do Ministério da Agricultura, delegando perversamente a Fundação Palmares à um presidente irresponsável que classificou o movimento negro como “escória maldita” formada por “vagabundos”, entre diversos outros degradantes exemplos.

A “PLENA MINERAÇÃO”
Abrir novas fronteiras minerais, terras indígenas, quilombolas, áreas de fronteiras, reservas florestais, áreas de preservação permanente, parques federais, unidades de conservação, tudo sob o viés do Plano Lavra, da MP da grilagem, da guilhotina regulatória. Houve uma fragmentação dos processos minerários conforme o anseio do capital, como já está sendo feito com o fosfato, com o ouro, o urânio. Isso implica burlar a legislação mineral brasileira em caráter de urgência em determinados casos. Como exemplo temos o Programa de Parceria e Investimentos (PPI), que em junho criou um Comitê Interministerial coordenado pelo Ministério de Minas e Energia e que conta com a participação do Ministério da Agricultura para acelerar os projetos desses minerais estratégicos. O Ministério do Meio Ambiente ficou fora dessa estrutura.Outro exemplo foi uma resolução da Agência Nacional de Mineração – ANM, em maio de 2020, que alterou o regime de requerimentos de pesquisa mineral e determinou que eles sejam aprovados automaticamente, sem as devidas análises ou avaliações de órgãos do governo federal ou outras instituições competentes.

GARIMPO ILEGAL
A mineração ilegal ganha novas proporções no governo Bolsonaro, com a implantação das milícias garimpeiras em estados como o Pará, Rondônia, Roraima, Amazonas,Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, São Paulo, Minas Gerais e Maranhão. É o fim da atividade garimpeira clássica, nômade e de bateia na mão: agora é o empresário quem organiza o garimpo, que precisa de dois milhões para iniciar um negócio que movimenta mais de 500 mil pessoas ligadas à atividade ilegal, associada também ao tráfico de drogas.A regularização dessas áreas, como ocorreu recentemente em Mato Grosso, foi autorizada sob o pretexto de que “destrói menos e tem mais controle”, movimento puxado pela Associação Nacional do Ouro (ANO), que é responsável por captar esse ouro ilegal e enviar ao Banco Central brasileiro. A ANO tem se reunido com o vice-presidente militar Hamilton Mourão para iniciar um projeto que regulamenta a atividade ilícita na agência reguladora do país, a Agência Nacional de Mineração (ANM). Só nas terras Yanomami entre os estados de Roraima e Amazonas, pela contaminação garimpeira, a estimativa da Fiocruz é de que até 40% da etnia possa contrair o vírus. Esse é só um exemplo da face da matança indígena levada pelos garimpeiros que a mídia hegemônica não mostra.

BURGUESIA NACIONAL
A burguesia nacional ganha força no governo Bolsonaro porque sempre viveu da irregularidade mais cruel, já que todo sistema mineral é irregular. Mineradoras do Estado de São Paulo, por exemplo, pedem licenças de ampliação de suas cavas e barragens com olhos para a última área indígena e da Mata Atlântica do Estado, o Pico do Jaraguá, onde vivem os Guaranis, em um evidente conluio entre capital industrial, imobiliário,mineral e financeiro – é um plano genocida. Essa burguesia e a pequena burguesia comercial/imobiliária/hoteleira/serviços brasileira é aliada histórica do setor da mineração nas cidades e nos centros minerados e,portanto, das relações mineradoras. Com sua base Bolsonarista, ela tem contribuído para implodir as recomendações da OMS em meio à pandemia – toda vez que a mineração necessita ela ativa essa força reacionária ao seu favor, provocando o que chamamos de minerodependência dos municípios.

CONTEXTO MUNDIAL
A disputa entre a China e os Estados Unidos emplaca o que muitos têm chamado de “Segunda Guerra Fria”, e passa por uma intensa disputa tecnológica,impossível de ser desenvolvida sem os minérios latino-americanos. A vitória de presidentes como Jair Bolsonaro no atual contexto faz parte da estratégia de domínio dos EUA no território brasileiro, diante da disputa com a China. Todo nosso sistema econômico internalizado passa pela premissa da geopolítica mundial e nos coloca em um processo intenso de destruição da natureza, exportação de matéria prima e planejamento mineral envolto na indústria internacional bélica,automotiva, da comunicação (sobretudo da internet), da agricultura (insumos e produtos) e a gama de bens de consumo duráveis, não-duráveis e os supérfluos à necessidade humana, como a indústria do R$ 1,99.

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Nota em solidariedade ao MST e contra a intervenção da Força Nacional no extremo sul da Bahia https://mamnacional.org.br/2020/09/05/bahia-nota-do-mam-em-solidariedade-ao-mst/ https://mamnacional.org.br/2020/09/05/bahia-nota-do-mam-em-solidariedade-ao-mst/#respond Sat, 05 Sep 2020 17:05:55 +0000 https://mamnacional.org.br/?p=2509 Nós, do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM), manifestamos nossa indignação e repúdio à decisão proferida pelo então Ministro da Justiça e Segurança Pública, André Mendonça, que publicou no Diário Oficial a Portaria n°493, de 1° de setembro de 2020, que autoriza a Força Nacional Brasileira a atacar as áreas do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) nos municípios de Prado e Mucuri, na região do Extremo Sul da Bahia.

Essa ação irresponsável e criminosa é um pedido feito pelo atual secretário de assuntos agrários, Nabhan Garcia, que, aliado ao presidente Jair Bolsonaro, ataca, criminaliza e violenta o povo Sem Terra, os indígenas e quilombolas. A ação explicita a face fascista desse governo, que usa as forças policiais e milicianas para atacar os trabalhadores na mesma medida em que violenta os direitos sociais e democráticos do povo brasileiro, entre eles a negação do direito à terra e às condições de produção de alimento saudável pelos camponeses e camponesas, a partir de uma política contra a reforma agrária.

Através desta nota, o MAM se indigna, se solidariza e presta apoio aos trabalhadores e trabalhadoras Sem Terra, que são os maiores produtores de alimentos saudáveis da região e são responsáveis pelo abastecimento da alimentação das cidades locais. Desde o início da pandemia da Covid-19, o MST atua em ações de cuidado e solidariedade, distribuindo alimentos e, assim, salvando vidas.

Por um País Soberano e Sério,
Contra o Saque dos nossos Minérios!”

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Artigo | Mineração e contágio por covid-19 em Pernambuco https://mamnacional.org.br/2020/08/21/artigo-mineracao-e-contagio-por-covid-19-em-pernambuco/ https://mamnacional.org.br/2020/08/21/artigo-mineracao-e-contagio-por-covid-19-em-pernambuco/#respond Fri, 21 Aug 2020 20:45:50 +0000 https://mamnacional.org.br/?p=2505 O setor mineral neste momento comemora os lucros exorbitantes obtidos em meio a uma crise sanitária e um genocídio

Amanda Fabricia Leão Mota e Adonias Ribeiro da Silva
Publicado em Brasil de Fato | Recife (PE) | 20 de Agosto de 2020 às 20:01

A crise do coronavírus continua em alarmante ascensão no Brasil – já são mais de 100 mil mortos e 3,4 milhões de infectados pela covid-19. Os reflexos da pandemia na dinâmica social estão evidentes na superlotação do sistema de saúde e no aprofundamento da crise econômica. Neste momento, cientistas de vários países dizem estar próximos de uma vacina, porém muitas dessas pesquisas ainda precisam de fases de testes, o que deixa a população mundial sem muitas perspectivas concretas, a curto prazo, e convivendo com um sofrimento da incerteza diariamente.

Na contramão da defesa da vida, o setor mineral brasileiro segue sua marcha de exploração dos trabalhadores e trabalhadoras e da natureza. Apoiadas pelo governo Bolsonaro – que incluiu a mineração como “atividade essencial” por meio da publicação do Decreto nº 10.329, em 28 de abril 2020 – as empresas de mineração não paralisaram e nem mesmo flexibilizaram suas atividades, ignorando a  recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS) e dos especialistas em epidemiologia de que a prioridade é garantir o distanciamento social e evitar aglomerações.

Em plena crise sanitária, diversas famílias de trabalhadores do setor e das populações localizadas nos arredores das minas estão sendo expostas a graves riscos de contaminação, tanto pela possibilidade de contraírem o vírus, quanto pelos impactos à saúde gerados pela atividade. Dessa forma, tratar a atividade mineral como essencial, em meio a uma pandemia, tirando o direito ao isolamento social dessa categoria sem ao menos uma consulta e/ou diálogo democrático, impondo que estes se aglomerem e elevem os riscos para seus familiares e comunidades é uma medida  irresponsável e criminosa.

Ao longo do avanço e da interiorização da pandemia do coronavírus, a problemática da continuidade das atividades minerárias chega também ao Araripe, localizada na mesorregião do Sertão de Pernambuco. A região compreende os municípios de Araripina, Bodocó, Exu, Granito, Ipubi, Moreilândia, Ouricuri, Santa Cruz, Santa Filomena e Trindade. O estado de Pernambuco é considerado o maior produtor de gesso do Brasil, com mais de 90% da produção nacional, com grande concentração no Polo Gesseiro do Araripe, abrangendo os municípios de Trindade, Araripina, Bodocó, Ipubi e Ouricuri.

Os primeiros casos confirmados da covid-19 na região foram registrados no dia 13 de maio no município de Ipubi. No dia 17 de julho, foram contabilizados 1.179 casos confirmados e 45 óbitos. Nessa semana, o número saltou para mais de 2.907 casos no Sertão, com maior incidências de casos confirmados e óbitos nos municípios minerados.


Casos de Covid-19 registrados no Sertão do Araripe-PE até o dia 03 de agosto de 2020 / Reprodução

Dessa forma, é preocupante o aumento de casos confirmados nos municípios em que existe a atividade minerária de gesso. Tal atividade, além dos graves problemas ambientais, gera efeitos na saúde da população dos arredores e principalmente de quem trabalha no polo e seus familiares.

Nesse sentido, fica a pergunta: há condições sanitárias suficientes como água potável, materiais de uso pessoal, local para higienização adequado, EPIs, dentre outras para manter a atividade produtiva de gesso, em tempos de pandemia, sem colocar em risco a saúde dos trabalhadores e trabalhadoras? Até onde a atividade gesseira é essencial neste momento? O objetivo e quantidade da produção gesseira é para responder os problemas fundamentais que está inserido o povo brasileiro neste momento histórico?

O setor mineral neste momento comemora os lucros exorbitantes obtidos em meio a uma crise sanitária e genocídio humano. Em contrapartida nossa política fiscal estimula o saque, como o caso da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM) entre as menores alíquotas comparado com outros países minerados e mineradores, associado a Lei Kandir enquanto instrumento de legalização do roubo das nossas riquezas, quando isenta as mineradoras de  qualquer Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

Na mineração, empresas superam seus lucros a cada ano, mesmo durante uma pandemia, com uma porcentagem cobrada pela CFEM que é considerada muito baixa, não chegando a 3% do lucro líquido das empresas que extraem no Araripe, o que explicita a necessidade de um debate democrático com a população, de popularização da CFEM e extinção da Lei Kandir.

No entanto observamos as empresas aumentarem seus lucros em meio a pandemia, enquanto o desemprego é crescente por não haver diversificação econômica em regiões de minério-dependência, como no Sertão do Araripe.

A indústria extrativa da mineração, para esconder a sua face perversa e trágica da história segue com ações de mídia e de propaganda para criar uma imagem de que se importam com a saúde da população e que têm responsabilidade social, porém os dados falam por si só. Nos territórios minerados existe uma intensificação de contaminação e mortes, como  acontece no Sertão do Araripe.

Enquanto corporações, empresas internacionais e o governo comemoram os bons números sobre vidas ceifadas pelo lucro, trabalhadores e trabalhadoras da mineração são expostos à péssimas condições de trabalho. Vivenciamos diariamente a expansão da mineração e, logo ao seu lado, a contaminação do coronavírus nas populações mais pobres que vivem nos municípios minerados, que consequentemente expõem as contradições do setor aumentando os conflitos nos territórios.


Valores de arrecadação da CFEM no Sertão do Araripe nos meses de janeiro a julho de 2020 / Divulgação/CFEM

Na tabela acima é possível verificar que os dados fornecidos pela Agência Nacional de Mineração (ANM) estão incompletos, o que deixa várias dúvidas e questionamentos: nos meses em que não estão apresentados os valores, não houve arrecadação ou extração? Os valores arrecadados nesses meses não foram lançados pelas prefeituras? Como é possível não haver valores de arrecadação se a mineração segue avançando com sua atividade?

Preocupa ainda o fato do município de Trindade não ter registro de atividade minerária, não apresentar arrecadação em 2020 e nem mesmo em anos anteriores, apesar de ser impactado de várias formas pela mineração. Com a manutenção da mineração na região ocorre a circulação de máquinas e caminhões; poeira; fortes explosões nas divisas com outros municípios minerados e a aglomeração de trabalhadores e trabalhadoras e da população que consequentemente leva o município a ser um dos mais afetados pela covid-19.

Com as contradições do capital mineral e as disputas capital x natureza, em uma sociedade globalizada e marcada pela violência, corrupção e o saque dos bens naturais e da vida, se faz urgente e necessário um debate do problema mineral de forma coletiva, popular e democrática. Os objetivos da construção de uma soberania popular na mineração, tendo como protagonista o interesse do povo brasileiro, são os caminhos de luta que devem ser percorridos e as utopias coletivas a serem alcançadas.

*Amanda e Adonias são militantes do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM) em Pernambuco

Edição: Vanessa Gonzaga

Extraído de: https://www.brasildefatope.com.br/2020/08/20/artigo-mineracao-e-contagio-por-covid-19-em-pernambuco

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“Quem Luta Educa” de Viçosa (MG) entrega ações emergenciais de combate à crise da Covid-19 https://mamnacional.org.br/2020/08/20/quem-luta-educa-de-vicosa-mg-entrega-acoes-emergenciais-de-combate-a-crise-da-covid-19/ https://mamnacional.org.br/2020/08/20/quem-luta-educa-de-vicosa-mg-entrega-acoes-emergenciais-de-combate-a-crise-da-covid-19/#respond Thu, 20 Aug 2020 18:22:18 +0000 https://mamnacional.org.br/?p=2498 Na tarde desta quarta-feira (19), representantes do Quem Luta Educa, articulação de sindicatos, movimentos sociais e estudantis que defende um projeto popular para a cidade de Viçosa, entregaram às autoridades uma Plataforma Regional de Emergências contendo diversas ações para combater a crise da Covid-19.

A construção da Plataforma é uma iniciativa nacional dos movimentos sociais e sindicatos que tem como objetivo propor ações para as áreas da saúde, educação, economia, assistência social e para o setor da mineração, que não paralisou suas atividades e tem colocado em risco as populações das cidades mineradas.

Nesta tarde, a Plataforma foi entregue em mãos ao prefeito de Viçosa, Ângelo Chequer, que se comprometeu a analisar o documento com calma e repassá-lo aos seus secretários. Esteve presente também Jeferson Boechat, chefe de gabinete da reitoria da Universidade Federal de Viçosa (UFV), representando o Reitor Demetrius David, que também assumiu o compromisso de repassar a Plataforma a todas as pró-reitorias.

Na próxima terça-feira (25), durante a reunião da Câmara Municipal, a plataforma será entregue também ao Poder Legislativo para que a Casa possa se dedicar no encaminhamento das ações ali propostas.

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Periferia Viva na Zona da Mata: mais duas toneladas de alimentos na mesa das famílias https://mamnacional.org.br/2020/08/19/periferia-viva-na-zona-da-mata-mais-duas-toneladas-de-alimentos-na-mesa-das-familias/ https://mamnacional.org.br/2020/08/19/periferia-viva-na-zona-da-mata-mais-duas-toneladas-de-alimentos-na-mesa-das-familias/#respond Wed, 19 Aug 2020 00:23:23 +0000 https://mamnacional.org.br/?p=2488 Campanha Periferia Viva tem o objetivo de doar alimentos saudáveis para famílias em situação de vulnerabilidade social nas cidades, ao mesmo tempo em que fortalece a agricultura familiar auxiliando no escoamento da sua produção

No último fim de semana, a Campanha Periferia Viva da região da Zona da Mata realizou sua segunda entrega de alimentos da agricultura familiar e itens de higiene pessoal para famílias em situação de vulnerabilidade nas cidades. Depois da primeira ação realizada no mês de julho, que colocou quase uma tonelada de alimentos saudáveis na mesa das famílias, a campanha amplia seu alcance entregando mais de duas toneladas de alimentos sem veneno para as famílias trabalhadoras. “Em apenas dois meses essa ação já distribuiu três toneladas de alimentos para as famílias de cinco municípios da nossa região. Isso mostra a força que a solidariedade tem”, afirma Lucas Brandão, membro do Levante Popular da Juventude e um dos organizadores da iniciativa.

A Campanha está estruturada em três territórios da Zona da Mata: as microrregiões de Viçosa e Ubá, a região da Serra do Brigadeiro e a região do Caparaó. Essas duas primeiras entregas foram realizadas nas cidades de Viçosa e Teixeiras, Muriaé, Simonésia e Manhuaçu.

A iniciativa, que é nacional, foi lançada na Zona da Mata no dia 29 de maio e se baseia em doações financeiras de pessoas, movimentos, sindicatos e empresas. Até o momento já foram arrecadados ao todo quase sete mil reais, recurso que é completamente investido na compra de alimentos produzidos por famílias agricultoras que tem tido dificuldades para vender sua produção, uma vez que as escolas e feiras estão com atividades paralisadas na maioria dos municípios.

Além da arrecadação financeira, a Campanha também tem trabalhado com a arrecadação de alimentos dos agricultores e agricultoras que tem condições de doar, como foi o caso do Assentamento Olga Benário, assentamento de reforma agrária ligado ao Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Sem Terra (MST), em Visconde do Rio Branco. “Ações como essa, da Campanha Periferia Viva, além de ajudar as famílias que estão passando dificuldades no campo e na cidade, servem também para mostrar a sociedade que a reforma agrária é a saída para a crise, pois gera emprego e renda, produz alimentos saudáveis e melhora a qualidade de vida das pessoas”, explica Tais Oliveira, coordenadora regional do MST na Zona da Mata.

São vários os depoimentos que mostram que a Campanha tem feito a diferença na vida das famílias que estão sendo assistidas, como é o caso de uma família de Simonésia que, após receber o kit, enviou uma mensagem à campanha dizendo: “Muito obrigada pela cesta, comi um angu hoje que você não tem noção. Que trem mais gostoso do universo. Comi couve cozida no feijão. Nossa, melhor almoço da minha vida, que trem bão. Muito obrigada mesmo viu!”

A arrecadação da Campanha Periferia Viva segue em andamento e a previsão dos organizadores é de que a ação dure pelo menos até o fim do ano, período que possivelmente será o mais crítico dessa pandemia.

Se você ainda não contribuiu ainda está em tempo. Com a sua ajuda a campanha conseguirá atender ainda mais famílias.

Seguem abaixo as orientações de como contribuir:

BANCO DO BRASIL
Ag.: 2303-5
Conta poupança: 14870-9
Variação: 51
Gisele Castro
CAIXA ECONÔMICA FEDERAL
Ag.: 0164
Conta poupança: 100935-9
Operação: 013
Jean Carlos Martins Silva

CONTATOS DE REFERÊNCIA:
Microrregião de Viçosa e Ubá:
Jean Carlos: (31) 9 7332-7830

Nayara Martins: (31) 9 9943-3026

Microrregião de Muriaé:
Gisele Castro: (32) 9 9834-2502
Adrielly Ribeiro: (32) 9 8891-4790

Microrregião de Manhuaçu:
Caroline Nunes: (33) 9 9824-4697

CAMPANHA PERIFERIA VIVA ZONA DA MATA
Solidariedade entre Campo e Cidade para Combater o Coronavírus

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